Hiato

Dei um basta em declamar minhas poesias

Sim. Dei.

Não adianta chegar à frente do público

(Tão atrás de sua própria existência)

Com o coração apertado de faltar o fôlego. . .

(falta)

A voz estremece de choro

A mente pede um fim

O coração pede socorro

Por isso, deixo por um tempo

Esta parte de mim

Até que eu volte a me sentir (viva).

 

Canto fúnebre

Viver é confusão

Não é mesmo?

Por isso tanta gente desiste. . .

Eu estou por aqui com ela.

 

Certo dia me sentei na orla

E observei as pessoas viverem

Muitas corriam subindo as ladeiras, outras andavam de caiaque a sorrir. . . Poucos minutos antes de morrerem afogadas.

A vida é mesmo muitíssimo complicada

Pense numa moça danada…

A vida é uma sereia, diária, a nos iludir ao fundo do universo.

 

Sinta

Não deixe de dizer que me ama
Se ainda tens amor por mim
Esquece-te do orgulho
Isto é perca de tempo
Me dá um cheiro, se quer pouco
Se mais, me leva pra cama
Sorria enquanto me acalmas
Chore se lhe faltar alegria
Seja sincero na forma que sentes
Esbanje ao mundo tua ira sentimental
Amor, meu amor…
Não esqueças que o amor não é banal
Sinta no ínfimo o quão animal
É o tocar voraz e selvagem
Do fogo que arde no peito
Me dê um abraço, tome café comigo
Toque no meu coração com tuas mãos
E sinta a música dos meus batimentos cardíacos.

Volta

Já é madrugada, o céu avermelhado.
Da cor de meu moletom.

Deito-me na cama
E algo ainda me falta
É teu abraço
É teu beijo
É seu sorriso que me diz bom dia todos os dias.

Também garoa lá fora…
Enquanto uma tempestade se prolonga aqui dentro:
É saudade.

Estás tão longe
Mas te sinto tão perto
Que me confundo com o que possa ser;
É uma constelação que se habita em mim
A cada sinal que vejo
A cada estrela que cai
E no céu daqui tão pouco estrelado
Ainda é possível te desenhar nas estrelas
E sentir teu amor.